Com alguns dias de atraso e já em Nalut, na Líbia, arranjo algum tempo para escrever e contar o que se passou nestes últimos três dias. Para não vos cansar muito e porque tenho de começar a escrever o texto para enviar amanhã para o jornal, vou resumir neste post os últimos acontecimentos.
Como combinado, na quinta-feira, a Elisabete Jacinto e os seus companheiros de equipa deixaram o hotel cedo para tirar o camião do parque fechado e levá-lo até à zona de embarque. Eu, o Jorge Gil e o Maximiano saímos logo a seguir para o camião de assistência. O embarque em Marselha até não foi muito confuso e, ao contrário do que me tinham dito, os camiões foram os primeiros a entrar no navio Carthago, que nos levou até à Tunísia. Enquanto esperava por embarcar, aproveitei para tirar umas fotografias e conhecer a outra piloto portuguesa, a Madalena Antas, e a mãe. Entretanto também já conheci o Adélio Machado, emigrante português em França, e o simpático senhor Lino Carapeta. Ah, e no barco também me foi apresentado o Pedro Biachi-Prata, que tem estado muito bem na prova, tal como o Hélder Oliveira, o melhor português até ontem nos carros. Depois do almoço no barco, descansámos um bocado nas cabines e voltámos a reunir-nos ao fim da tarde para a palestra geral e obrigatória. Seguiu-se o jantar – como tinha um convite para um jantar só de jornalistas fiz companhia à equipa antes de me juntar aos outros membros da classe. Terminada a refeição, que partilhei só com portugueses, dei um salto até ao bar do barco onde o ambiente estava animado, mas eu estava cansada e fui dormir.
Na sexta-feira, a alvorada também foi por volta das 7 da manhã. Tudo normal: banho tomado, pequeno-almoço comido e algum tempo de espera até ao desembarque. A primeira vez em África aproxima-se... Confesso que a chegada ao porto tunisino de La Goulette não é muito encantadora, mas a emoção de ver a prova começar à séria é grande. A temperatura é amena e o cé está nublado mas o calor já é outro, o calor de África. Enquanto espero pela partida da primeira moto, passeio por entre os carros de competição que por ali estacionam já à saída do porto. Aproveito para fotografar o Pedro Biachi-Prata durante a contagem para a sua largada, em quarto lugar e, como o camião de assistência tem de se fazer à estrada para chegarmos o mais rápido possível ao acampamento, partimos pouco depois. Cerca de sete horas depois finalmente avistamos o acampamento em Matmata, já no sul da Tunísia e, duas horas depois, chega o camião da Elisabete. O primeiro dia não correu na perfeição, porque houve um problema com o contador de quilómetros e a equipa acabou por se perder na curta especial de 25 quilómetros, a primeira para os camiões. Ainda assim, a piloto portuguesa conseguiu ficar a apenas 1m43s do camião que venceu a especial. Já bem no escuro da noite vamos jantar e, depois de mais umas voltas pelo acampamento, entro na tenda e durmo. O descanso não é muito, porque os barulhos dos geradores eléctricos dos veículos de assistência e dos motores, que se ouvem quase até nascer o dia, incomodam um bocado. Mas nestas provas é mesmo assim e o espírito tem de ser o mais descontraído possível.
Hoje voltámos a acordar cedinho, às 6 da manhã já estava a arrumar tudo na tenda para ir tomar o pequeno-almolço e partir em direcção a Nalut, na Líbia. Partimos por volta das 8, enquanto a Elisabete saiu para a segunda especial pouco depois. Fizemos a viagem sem parar e foi uma experiência muito gira passar a fronteira. Isto é outro mundo, muito árido e despido de vaidades – não há condições para as ter. Valem os sorrisos das crianças que à beira da estrada nos vão dizendo adeus. Atrás de si, as casas pobres e inacabadas vão-nos contando um pouco da história destes países, a Tunísia e a Líbia. Mas vi outras coisas giras hoje: os primeiros camelos, bem no sul da Tunísia, e as primeiras dunas, já na Líbia. Nota-se diferença neste território ditatorial e militarizado. Se na Tunísia foram largas centenas de polícias que se espalharam pelas estradas por onde passou o rali, em território tunisino as autoridades também estão por todo o lado. Mesmo à entrada do acampamento, um helicóptero líbio deixa claro em que tipo de regime estamos e, aqui no acampamento, onde escrevo estas palavras, os carros com polícias estão constantemente a fazer rondas. Aqui ao pé de mim já passaram pelo menos dois. Mas tudo normal, sem stress. Aliás, é muito relaxante estar aqui: não fosse o gerador que me permite ter o computador ligado e ouvia melhor os passarinhos a cantar. O cenário parece não ter fim e a linha do horizonte está tão longe...
Entretanto, já tomei o meu primeiro banho de acampamento e confesso que a experiência acumulada no Andanças me está a servir de muito no que diz respeito à higiene pessoal e afins. Estamos à espera que o “nosso” camião chegue, parece que a Elisabete ganhou a especial.
Sobre o dia de hoje podem ler amanha no METRO.
Beijos e até amanhã
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4 comentários:
ai melher que loinje k tu estás!!! que experiência maravilhosa! e o Horizonte deve ser tão longínquo e linear... cheira a deserto. Beijos da Moita...
k estória é essa de chocolates artesanais?
Beijo e força... Bem longas horas ainda vamos ter de falar para me contares cada pormenor. E que nada te escape. Continuação de um fantástico trabalho sempre sobre rodas.
Olha lá e já sabes quantos camelos dão por ti???? Faxavor de dizer isso na próxima entrada! tá????
Beijinhos liiiinda
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