Com alguns dias de atraso e já em Nalut, na Líbia, arranjo algum tempo para escrever e contar o que se passou nestes últimos três dias. Para não vos cansar muito e porque tenho de começar a escrever o texto para enviar amanhã para o jornal, vou resumir neste post os últimos acontecimentos.
Como combinado, na quinta-feira, a Elisabete Jacinto e os seus companheiros de equipa deixaram o hotel cedo para tirar o camião do parque fechado e levá-lo até à zona de embarque. Eu, o Jorge Gil e o Maximiano saímos logo a seguir para o camião de assistência. O embarque em Marselha até não foi muito confuso e, ao contrário do que me tinham dito, os camiões foram os primeiros a entrar no navio Carthago, que nos levou até à Tunísia. Enquanto esperava por embarcar, aproveitei para tirar umas fotografias e conhecer a outra piloto portuguesa, a Madalena Antas, e a mãe. Entretanto também já conheci o Adélio Machado, emigrante português em França, e o simpático senhor Lino Carapeta. Ah, e no barco também me foi apresentado o Pedro Biachi-Prata, que tem estado muito bem na prova, tal como o Hélder Oliveira, o melhor português até ontem nos carros. Depois do almoço no barco, descansámos um bocado nas cabines e voltámos a reunir-nos ao fim da tarde para a palestra geral e obrigatória. Seguiu-se o jantar – como tinha um convite para um jantar só de jornalistas fiz companhia à equipa antes de me juntar aos outros membros da classe. Terminada a refeição, que partilhei só com portugueses, dei um salto até ao bar do barco onde o ambiente estava animado, mas eu estava cansada e fui dormir.
Na sexta-feira, a alvorada também foi por volta das 7 da manhã. Tudo normal: banho tomado, pequeno-almoço comido e algum tempo de espera até ao desembarque. A primeira vez em África aproxima-se... Confesso que a chegada ao porto tunisino de La Goulette não é muito encantadora, mas a emoção de ver a prova começar à séria é grande. A temperatura é amena e o cé está nublado mas o calor já é outro, o calor de África. Enquanto espero pela partida da primeira moto, passeio por entre os carros de competição que por ali estacionam já à saída do porto. Aproveito para fotografar o Pedro Biachi-Prata durante a contagem para a sua largada, em quarto lugar e, como o camião de assistência tem de se fazer à estrada para chegarmos o mais rápido possível ao acampamento, partimos pouco depois. Cerca de sete horas depois finalmente avistamos o acampamento em Matmata, já no sul da Tunísia e, duas horas depois, chega o camião da Elisabete. O primeiro dia não correu na perfeição, porque houve um problema com o contador de quilómetros e a equipa acabou por se perder na curta especial de 25 quilómetros, a primeira para os camiões. Ainda assim, a piloto portuguesa conseguiu ficar a apenas 1m43s do camião que venceu a especial. Já bem no escuro da noite vamos jantar e, depois de mais umas voltas pelo acampamento, entro na tenda e durmo. O descanso não é muito, porque os barulhos dos geradores eléctricos dos veículos de assistência e dos motores, que se ouvem quase até nascer o dia, incomodam um bocado. Mas nestas provas é mesmo assim e o espírito tem de ser o mais descontraído possível.
Hoje voltámos a acordar cedinho, às 6 da manhã já estava a arrumar tudo na tenda para ir tomar o pequeno-almolço e partir em direcção a Nalut, na Líbia. Partimos por volta das 8, enquanto a Elisabete saiu para a segunda especial pouco depois. Fizemos a viagem sem parar e foi uma experiência muito gira passar a fronteira. Isto é outro mundo, muito árido e despido de vaidades – não há condições para as ter. Valem os sorrisos das crianças que à beira da estrada nos vão dizendo adeus. Atrás de si, as casas pobres e inacabadas vão-nos contando um pouco da história destes países, a Tunísia e a Líbia. Mas vi outras coisas giras hoje: os primeiros camelos, bem no sul da Tunísia, e as primeiras dunas, já na Líbia. Nota-se diferença neste território ditatorial e militarizado. Se na Tunísia foram largas centenas de polícias que se espalharam pelas estradas por onde passou o rali, em território tunisino as autoridades também estão por todo o lado. Mesmo à entrada do acampamento, um helicóptero líbio deixa claro em que tipo de regime estamos e, aqui no acampamento, onde escrevo estas palavras, os carros com polícias estão constantemente a fazer rondas. Aqui ao pé de mim já passaram pelo menos dois. Mas tudo normal, sem stress. Aliás, é muito relaxante estar aqui: não fosse o gerador que me permite ter o computador ligado e ouvia melhor os passarinhos a cantar. O cenário parece não ter fim e a linha do horizonte está tão longe...
Entretanto, já tomei o meu primeiro banho de acampamento e confesso que a experiência acumulada no Andanças me está a servir de muito no que diz respeito à higiene pessoal e afins. Estamos à espera que o “nosso” camião chegue, parece que a Elisabete ganhou a especial.
Sobre o dia de hoje podem ler amanha no METRO.
Beijos e até amanhã
domingo, 27 de abril de 2008
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Dia 4
Estou estafada. Hoje o dia começou bem cedo e andei sempre de um lado para o outro. Às 7h00 já estava a tomar o pequeno-almoço aqui em Marselha, rodeada de japoneses na sala de refeições. Quinze minutos depois já estava no táxi a caminho do Fort de Saint-Jean onde pela primeira vez assisti às verificações administrativas e técnicas de uma prova como esta.
Na tenda da imprensa fui muito bem recebida pelas duas assessoras, Emmanuelle e Coline. Apresentei-me e, depois de dizer o meu nome, referi que era portuguesa. “Bom dia”, ouço ao meu lado. Era uma jornalista portuguesa, a Cristina Silva, que trabalha para a CLP TV, em Paris, e que também vai seguir o Rali da Tunísia, num carro de assistência do piloto português Adélio Machado.
Como todos os participantes do rali, os jornalistas também têm de passar pelas verificações administrativas: depois dos carimbos da área da imprensa, é preciso ir à tenda onde se trata de toda a papelada. Foi aí que entreguei a minha ficha médica com todos os dados que os médicos da corrida registam para socorrer em caso de acidente – o tipo de sangue, por exemplo, é essencial. Passei por um rastreio visual, recebi a “ração” para a primeira etapa do rali na Tunísia, tratei do visto para a entrada na Líbia com o Jorge Gil e recebi o dossier de imprensa. De volta à tenda dos jornalistas ainda tive direito a uma mala muito gira da prova e uma sweat-shirt toda catita.
Resolvidas as questões burocráticas, passei para a tenda das verificações técnicas, onde os elementos da Federação Internacional do Automóvel inspeccionam os veículos. Enquanto não chegava a sua vez, Elisabete Jacinto, Marco Cochinho e Álvaro Velhinho “decoravam” o camião com os autocolantes obrigatórios, uns identificativos, outros publicitários. Tal como no Dakar este processo é habitual e muito curioso foi perceber que quase todos os carros, motas e camiões que competem nesta prova ainda tinham os autocolantes que colaram em Lisboa, nas verificações da prova que acabou por ser cancelada.
Além do camião de Elisabete, também cá estavam os carros de Adélio Machado e de Hélder Oliveira para serem submetidos às verificações. Os outros concorrentes nacionais já tinham verificado no dia anterior.
Depois das verificações, Elisabete levou o camião para o parque fechado, onde se estacionam todos os veículos depois das verificações sem que estes possam ser mexidos até ao início da competição – neste caso, até à partida de barco para a Tunísia. De seguida almoçámos numa esplanada em frente ao porto de Marselha, uma cidade com carregada de história, agradável e bem mais bonita do que pensava. Durante a refeição, conheci o Jorge Cunha, que irá fotografar os pilotos portugueses no rali.
Antes da palestra sobre o rali, ainda houve tempo de vir ao hotel descansar uma horita para regressar até ao porto, em frente ao qual está situado o edifício da câmara municipal e onde a organização apresentou oficialmente a prova aos participantes. Seguiu-se o prólogo, que se realizou junto ao um centro comercial de Marselha, mas que fica a mais de dez quilómetros da marina. Entre as 97 motos, o português Pedro Biachi Prata fez o terceiro melhor tempo. Como os estômagos já roncavam, decidimos não ver todos os carros e fomos jatar ali mesmo e regressámos de táxi ao hotel.
O embarque no barco Cartago, onde vou partilhar a cabine com a tal jornalista portuguesa Cristina Silva, deverá ser por volta da hora do almoço – os camiões são os últimos a entrar. Mas amanhã será mais um dia para levantar cedo, já que a Elisabete terá de retirar o camião do parque fechado entre as 8h30 e as 9h30 e eu faço questão de a acompanhar, pois só assim tenho a oportunidade de perceber tudo o que um piloto tem de fazer numa prova como o Rali da Tunísia.
Como não sei se amanhã haverá rede no meio do Mediterrâneo para vos contar o dia, deixo-vos mais beijinhos que o habitual.
Até breve
Na tenda da imprensa fui muito bem recebida pelas duas assessoras, Emmanuelle e Coline. Apresentei-me e, depois de dizer o meu nome, referi que era portuguesa. “Bom dia”, ouço ao meu lado. Era uma jornalista portuguesa, a Cristina Silva, que trabalha para a CLP TV, em Paris, e que também vai seguir o Rali da Tunísia, num carro de assistência do piloto português Adélio Machado.
Como todos os participantes do rali, os jornalistas também têm de passar pelas verificações administrativas: depois dos carimbos da área da imprensa, é preciso ir à tenda onde se trata de toda a papelada. Foi aí que entreguei a minha ficha médica com todos os dados que os médicos da corrida registam para socorrer em caso de acidente – o tipo de sangue, por exemplo, é essencial. Passei por um rastreio visual, recebi a “ração” para a primeira etapa do rali na Tunísia, tratei do visto para a entrada na Líbia com o Jorge Gil e recebi o dossier de imprensa. De volta à tenda dos jornalistas ainda tive direito a uma mala muito gira da prova e uma sweat-shirt toda catita.
Resolvidas as questões burocráticas, passei para a tenda das verificações técnicas, onde os elementos da Federação Internacional do Automóvel inspeccionam os veículos. Enquanto não chegava a sua vez, Elisabete Jacinto, Marco Cochinho e Álvaro Velhinho “decoravam” o camião com os autocolantes obrigatórios, uns identificativos, outros publicitários. Tal como no Dakar este processo é habitual e muito curioso foi perceber que quase todos os carros, motas e camiões que competem nesta prova ainda tinham os autocolantes que colaram em Lisboa, nas verificações da prova que acabou por ser cancelada.
Além do camião de Elisabete, também cá estavam os carros de Adélio Machado e de Hélder Oliveira para serem submetidos às verificações. Os outros concorrentes nacionais já tinham verificado no dia anterior.
Depois das verificações, Elisabete levou o camião para o parque fechado, onde se estacionam todos os veículos depois das verificações sem que estes possam ser mexidos até ao início da competição – neste caso, até à partida de barco para a Tunísia. De seguida almoçámos numa esplanada em frente ao porto de Marselha, uma cidade com carregada de história, agradável e bem mais bonita do que pensava. Durante a refeição, conheci o Jorge Cunha, que irá fotografar os pilotos portugueses no rali.
Antes da palestra sobre o rali, ainda houve tempo de vir ao hotel descansar uma horita para regressar até ao porto, em frente ao qual está situado o edifício da câmara municipal e onde a organização apresentou oficialmente a prova aos participantes. Seguiu-se o prólogo, que se realizou junto ao um centro comercial de Marselha, mas que fica a mais de dez quilómetros da marina. Entre as 97 motos, o português Pedro Biachi Prata fez o terceiro melhor tempo. Como os estômagos já roncavam, decidimos não ver todos os carros e fomos jatar ali mesmo e regressámos de táxi ao hotel.
O embarque no barco Cartago, onde vou partilhar a cabine com a tal jornalista portuguesa Cristina Silva, deverá ser por volta da hora do almoço – os camiões são os últimos a entrar. Mas amanhã será mais um dia para levantar cedo, já que a Elisabete terá de retirar o camião do parque fechado entre as 8h30 e as 9h30 e eu faço questão de a acompanhar, pois só assim tenho a oportunidade de perceber tudo o que um piloto tem de fazer numa prova como o Rali da Tunísia.
Como não sei se amanhã haverá rede no meio do Mediterrâneo para vos contar o dia, deixo-vos mais beijinhos que o habitual.
Até breve
terça-feira, 22 de abril de 2008
Dia 3
O pequeno-alomoço toma-se às 7h30, em Lérida. Meia hora depois, partimos em direcção a Marselha. Será a viagem mais longa destes três primeiros dias, com mais de 600 quilómetros de percurso. A meio da manhã, a primeira paragem do dia serve para voltar a atestar os depósitos aos camiões – é preciso aproveitar o combustível em Espanha porque em França ainda é mais caro que em Portugal. Continuamos a viagem até passarmos a fronteira, de onde se avistam perfeitamente os Pirinéus cheios de neve.
Ao contrário dos primeiros dois dias, hoje o tempo ajuda a uma viagem mais agradável e relaxada, com o sol a fazer-nos companhia. Já em território francês, nova paragem na primeira estação de serviço para o almoço. Como é preciso chegar relativamente cedo a Marselha, fazemo-nos à estrada sem demoras. Ainda faltam mais de trezentos quilómetros até à cidade de onde vai arrancar a caravana do Rali da Tunísia.
Com o Mar Mediterrâneo do nosso lado direito, percorre-se Marselha sempre junto à costa. Passa-se pela Gare Maritime e chega-se às 18h30 ao Fort de Saint-Jean, onde a organização montou toda a logística para as verificações técnicas e onde se estacionam os camiões. Ao entrar nesta área, avisto logo o Toyota do português Hélder Oliveira – o galo de Barcelos pintado não engana, o carro é mesmo do piloto nortenho. Perto dos camiões da equipa de Elisabete Jacinto está mais uma portuguesa: Madalena Antas, que vai competir ao volante de um Nissan Navara.
Começo fazer contas à roupa que tenho na mochila e apercebo-me de que é conveniente abrir o saco grande de viagem, que está na caixa de carga, para tirar mais umas camisolas para os próximos dois dias. Com a ajuda do Max subo ao camião para fazer a troca da roupa suja pela roupa lavada. Elisabete acaba por fazer o mesmo e lá partimos nós rumo ao hotel em que vamos passar as próximas duas noites.O Álvaro, que diz já ter estado em três passagens do ano em Marselha, guia-nos até à marina para apanharmos um táxi. Mas, ao contrário do que acontece em Lisboa, os táxis aqui não páram quando levantamos o braço junto à estrada. O Marco e o Álvaro decidem ir a pé, eu, a Elisabete, o Jorge e o Max ficamos à espera de um táxi que, entretanto, foi preciso pedir por telefone.
Em Lisboa, a funcionária da agência de viagens que marcou o hotel de Marselha disse ao Jorge que ficava junto ao Porto Velho, ao pé da marina. Mas não é bem assim: demorámos quase meia hora de táxi até chegar ao Mercure Marseille Prado, na Avenue de Mazargues, uma perpendicular à larga Avenue du Prado e junto ao Stade Vélodrome. Feito o check-in, Elisabete pede meia hora para tomar banho e assim “adiantar serviço para amanhã”. Temos de tomar o pequeno-alomoço às 7h00 para que a equipa se apresente às 8h00 nas verificações técnicas: “A partir de amanhã temos de cumprir os horários a sério, se não levamos penalizações”, explica Elisabete.
O jantar é na pizaria que fica mesmo em frente ao hotel. Delicio-me com uma salada de rúcula, tomate, presunto e parmesão, muito bem temperada por sinal. O ar cansado de todos não engana e, por isso, depois de umas conversas mais acesas entre o Jorge, o Marco e o Álvaro sobre pormenores técnicos do camião de corrida, atravessamos a estrada e regressamos ao hotel.
São 23h30. Espero adormecer mais cedo que ontem, porque às 6h15 já tenho de estar a tomar um banho...
Até amanhã
Ao contrário dos primeiros dois dias, hoje o tempo ajuda a uma viagem mais agradável e relaxada, com o sol a fazer-nos companhia. Já em território francês, nova paragem na primeira estação de serviço para o almoço. Como é preciso chegar relativamente cedo a Marselha, fazemo-nos à estrada sem demoras. Ainda faltam mais de trezentos quilómetros até à cidade de onde vai arrancar a caravana do Rali da Tunísia.
Com o Mar Mediterrâneo do nosso lado direito, percorre-se Marselha sempre junto à costa. Passa-se pela Gare Maritime e chega-se às 18h30 ao Fort de Saint-Jean, onde a organização montou toda a logística para as verificações técnicas e onde se estacionam os camiões. Ao entrar nesta área, avisto logo o Toyota do português Hélder Oliveira – o galo de Barcelos pintado não engana, o carro é mesmo do piloto nortenho. Perto dos camiões da equipa de Elisabete Jacinto está mais uma portuguesa: Madalena Antas, que vai competir ao volante de um Nissan Navara.
Começo fazer contas à roupa que tenho na mochila e apercebo-me de que é conveniente abrir o saco grande de viagem, que está na caixa de carga, para tirar mais umas camisolas para os próximos dois dias. Com a ajuda do Max subo ao camião para fazer a troca da roupa suja pela roupa lavada. Elisabete acaba por fazer o mesmo e lá partimos nós rumo ao hotel em que vamos passar as próximas duas noites.O Álvaro, que diz já ter estado em três passagens do ano em Marselha, guia-nos até à marina para apanharmos um táxi. Mas, ao contrário do que acontece em Lisboa, os táxis aqui não páram quando levantamos o braço junto à estrada. O Marco e o Álvaro decidem ir a pé, eu, a Elisabete, o Jorge e o Max ficamos à espera de um táxi que, entretanto, foi preciso pedir por telefone.
Em Lisboa, a funcionária da agência de viagens que marcou o hotel de Marselha disse ao Jorge que ficava junto ao Porto Velho, ao pé da marina. Mas não é bem assim: demorámos quase meia hora de táxi até chegar ao Mercure Marseille Prado, na Avenue de Mazargues, uma perpendicular à larga Avenue du Prado e junto ao Stade Vélodrome. Feito o check-in, Elisabete pede meia hora para tomar banho e assim “adiantar serviço para amanhã”. Temos de tomar o pequeno-alomoço às 7h00 para que a equipa se apresente às 8h00 nas verificações técnicas: “A partir de amanhã temos de cumprir os horários a sério, se não levamos penalizações”, explica Elisabete.
O jantar é na pizaria que fica mesmo em frente ao hotel. Delicio-me com uma salada de rúcula, tomate, presunto e parmesão, muito bem temperada por sinal. O ar cansado de todos não engana e, por isso, depois de umas conversas mais acesas entre o Jorge, o Marco e o Álvaro sobre pormenores técnicos do camião de corrida, atravessamos a estrada e regressamos ao hotel.
São 23h30. Espero adormecer mais cedo que ontem, porque às 6h15 já tenho de estar a tomar um banho...
Até amanhã
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Dia 2
O dia começa cedo. Às 8h30 já estamos a tomar o pequeno-almoço no Hotel Roma, em Talavera de la Reina, para seguirmos depois até Lérida. Como tem sido habitual, o Maximiano Bizarro, o mecânico de assistência, pouco fala, ao contrário do Jorge Gil e de mim que vamos sempre partilhando histórias. Apesar das conversas, a viagem tem pouca história até à primeira paragem para o almoço, num restaurante à beira da auto-estrada, antes de Zaragoza. Melhor que a refeição, o bom desta paragem são as tabletes de chocolate negro de fabrico artesanal. O Jorge, que me explica que este tipo de chocolate foi inventado em Espanha (quando souber mais pormenores explico como é que as tabletes de chocolate apareceram primeiro aqui no país vizinho) compra a primeira, de chocolate com laranja. Eu acabo por comprar mais duas, uma com menta e outra com 70% de cacau. Mas os “pecados” do dia não ficam por aqui, já que a Elisabete Jacinto não resiste a uma cestinha de frutas cristalizadas, que mais parecem gomas, cobertas com chocolate negro.
Não demoramos mais de hora e meia no almoço e seguimos viagem. No próximo percurso não resisto ao sono e acabo por adormecer, tal como o Jorge. Acordo uns 100 quilómetros depois com os olhos a colar por causa das lentes de contacto, que troco pelos óculos logo a seguir. Pelo caminho, passamos pelo Meridiano de Greenwich e avistamos os Pirinéus ao longe.
Até Lérida a viagem não custa muito e, tal como no dia anterior, o Terratrip marca cerca de 600 quilómetros à chgada ao As Hotel, que fica numa estação de serviço gigante de Lérida, ou Lleida. Ocupamos todos os sofás do hall de entrada e, enquanto a Elisabete cose, contrariada, umas tiras de velcro numas almofadas do sistema de segurança Hans – depois explico o que é – eu e o resto da equipa preenchemos a ficha de informação médica que teremos de entregar nas verificações técnicas. Depois disso e, como há um computador ao serviço dos hóspedes com internet grátis, vou ver as notícias do dia na “fantástica” edição verde do METRO. A fome começa a apertar e lá nos reunimos para jantar no restaurante do hotel. É a refeição mais divertida até agora, com o Marco Cochinho, o mecânico de corrida, a Elisabete e o Jorge a contarem histórias hilariantes de corridas anteriores. Para acompanhar os cafés e o chá de menta que a Elisabete costuma beber à noite, a mesa enche-se com as tabletes e os bom-bons.
Porque o dia já vai longo e amanhã o pequeno-alomoço está marcado para as 7h30, eu e a Elisabete subimos para os quartos. Como não quero ir para a cama – até porque não tenho sono ainda – escrevo este post, básico, só para vos contar como passei o dia. A próxima etapa desta aventura tem como destino a cidade francesa de Marselha, onde se realiza o prólogo nocturno só para motos e carros, na quarta-feira, e de onde parte a caravana do rali, na quinta-feira, rumo à Tunísia.
As próximas preocupações são abastecer o camião de assistência com mais comida – durante as etapas em África nunca se sabe o que pode acontecer, estamos por nossa conta e risco e até já sei que terei de dormir uma noite onde calhar, fora do acampamento – e encontrar um lugar para que os camiões pernoitem em segurança em Marselha, que dizem ser perigosa.
São 23h30, amanhã dou mais notícias.
Não demoramos mais de hora e meia no almoço e seguimos viagem. No próximo percurso não resisto ao sono e acabo por adormecer, tal como o Jorge. Acordo uns 100 quilómetros depois com os olhos a colar por causa das lentes de contacto, que troco pelos óculos logo a seguir. Pelo caminho, passamos pelo Meridiano de Greenwich e avistamos os Pirinéus ao longe.
Até Lérida a viagem não custa muito e, tal como no dia anterior, o Terratrip marca cerca de 600 quilómetros à chgada ao As Hotel, que fica numa estação de serviço gigante de Lérida, ou Lleida. Ocupamos todos os sofás do hall de entrada e, enquanto a Elisabete cose, contrariada, umas tiras de velcro numas almofadas do sistema de segurança Hans – depois explico o que é – eu e o resto da equipa preenchemos a ficha de informação médica que teremos de entregar nas verificações técnicas. Depois disso e, como há um computador ao serviço dos hóspedes com internet grátis, vou ver as notícias do dia na “fantástica” edição verde do METRO. A fome começa a apertar e lá nos reunimos para jantar no restaurante do hotel. É a refeição mais divertida até agora, com o Marco Cochinho, o mecânico de corrida, a Elisabete e o Jorge a contarem histórias hilariantes de corridas anteriores. Para acompanhar os cafés e o chá de menta que a Elisabete costuma beber à noite, a mesa enche-se com as tabletes e os bom-bons.
Porque o dia já vai longo e amanhã o pequeno-alomoço está marcado para as 7h30, eu e a Elisabete subimos para os quartos. Como não quero ir para a cama – até porque não tenho sono ainda – escrevo este post, básico, só para vos contar como passei o dia. A próxima etapa desta aventura tem como destino a cidade francesa de Marselha, onde se realiza o prólogo nocturno só para motos e carros, na quarta-feira, e de onde parte a caravana do rali, na quinta-feira, rumo à Tunísia.
As próximas preocupações são abastecer o camião de assistência com mais comida – durante as etapas em África nunca se sabe o que pode acontecer, estamos por nossa conta e risco e até já sei que terei de dormir uma noite onde calhar, fora do acampamento – e encontrar um lugar para que os camiões pernoitem em segurança em Marselha, que dizem ser perigosa.
São 23h30, amanhã dou mais notícias.
domingo, 20 de abril de 2008
Dia 1
Sem atrasos, a partida de Alverca faz-se à hora certa, às 9 da manhã. Destino: Talavera de la Reina, a cerca de 100 quilómetros de Madrid, em Espanha. Marco Cochinho, o mecânico de corrida, precisa de dar algumas indicações a Maximiano Bizarro, o mecânico que vai conduzir o camião de assistência. Que sorte a minha, faço os primeiros quilómetros da viagem sentada no assento do meio da cabine do camião de Elisabete Jacinto, onde também está Álvaro Velhinho, o navegador da piloto portuguesa. Já sem precisar de um escadote, subo rapidamente para o camião para dar início a esta aventura rumo ao Rali da Tunísia. Até à estação de serviço de Vendas Novas, onde acabarei por trocar de camião, a conversa não pára, seja pelas dúvidas que vou colocando ou pelas histórias que a Beta, como lhe chamam os elementos da equipa, da qual também faz parte Jorge Gil, o marido da piloto e respponsável por toda a logística do grupo. “Ontem tive uma experiência fantástica”, exclama Elisabete queandou numa lufa-lufa nos últimos dias antes da partida. “Quando regressava do Porto vi um arco-iris espectacular. Tão grande, tão definido e com cores tão vivas, que mais me parecia uma imagem de um filme de ficção científica”, conta com a boa disposição que a caracteriza.
Atravessamos a Ponte Vasco da Gama e seguimos pela auto-estrada que nos leva até à fronteira de Badajoz. Poucos quilómetros depois, nova paragem, em Talavera, para atestar os depósitos dos camiões – opção óbvia, já que o combustível em Espanha é mais barato que em Portugal. O tempo está pouco convidativo e não há tempo a perder. Rapidamente nos fazemos de novo à estrada com o objectivo de degustar um belo repasto em Trujillo, no restaurante Las Cigueñas. Mas ainda faltam muitos quilómetros para lá chegar e o relógio já marca as 14h30, hora espanhola. “Lá só nos servem até às três e a esta velocidade [o camião de assistência vai sempre entre os 80 e os 90 km/h] não vai ser possível almoçar lá”, reconhece Jorge, que telefona para Elisabete a fim de a avisar que a paragem para o almoço será na próxima estação de serviço. O restaurante não é muito bom, mas a boa disposição permite rapidamente esquecer que o gaspacho “não está grande coisa”, que o vinho tinto “não se consegue beber”, que o pão “está duro” e que os cafés estão “intragáveis”, já para não façar dos secretos de porco preto que mais se assemelham a um bocado de toucinho só com gordura. Salva-se a “cuajada con miel”, sobremesa que escolho aconselhada por Álvaro e Elisabete.
Já se passaram quase sete horas desde que saímos da oficina “e só andámos 300 quilómetros”, diz Jorge depois de verificar a distância percorrida e registada no Terratrip. O céu confirma que o mau tempo está para ficar, mas até Talavera de la Reina não há direito a mais paragens. Jorge, sempre atento ao plano de viagem que definiu com Elisabete, tenta ver no GPS a direcção em que seguimos, mas o aparelho deixa de apanhar satélites e ao se tentar tirar o cabo de carga, este parte-se. A partir de agora só se liga o GPS quando for necessário, pois só podemos contar com a bateria que ainda tem. Ao entrar em Talavera de la Reina andamos às voltas nas ruas, cheias de rotundas, até que encontramos o agradável Hotel Roma, de onde escrevo estas palavras.
Depois de uma curta passagem pelo quarto – só a Elisabete demorou mais porque precisou de dormir um pouco – e de uma conversa sobre histórias curiosas que se passaram em ralis anteriores com oJorge e o Álvaro, seguimos para o restaurante Casa Duero, a três minutos a pé do hotel. Depois de um almoço que deixou a desejar, o jantar é cinco estrelas, das entradas ao café, passando pelo bom vinho tinto que partilho com o Álvaro e o Jorge. O cansaço já se nota no semblante de todos e como o pequeno-alomoço está marcado para as 8h30, seguimos para os quartos.
Em Portugal, o Benfica acabou de perder 2-0 com o F.C. Porto no Dragão, informação que recebo via sms. Mas aqui em Espanha o Valência de Miguel e Caneira também não teve um dia melhor, depois da humilhante derrota por 5-1 frente ao Athletic. “Dia de Futbol” é o programa que vai passando no televisor que acendi precisamente para ver se sabia qual tinha sido o resultado do clássico da Liga portuguesa. Esse já sei, agora só me falta saber quem venceu o Estoril Open, se Federer ou Davidenko. Devo ficar a saber daqui a nada pelo telefonema que farei à minha mãe.
Durante o dia de hoje tirei umas quantas fotos, para guardar alguns momentos desta viagem. Os camiões descansam lá em baixo, em frente ao hotel, prontinhos para mais um dia de viagem em direcção a Lérida, onde será a próxima dormida.
Entretanto já são 00h26, está na hora de dormir.
Até amanhã
Atravessamos a Ponte Vasco da Gama e seguimos pela auto-estrada que nos leva até à fronteira de Badajoz. Poucos quilómetros depois, nova paragem, em Talavera, para atestar os depósitos dos camiões – opção óbvia, já que o combustível em Espanha é mais barato que em Portugal. O tempo está pouco convidativo e não há tempo a perder. Rapidamente nos fazemos de novo à estrada com o objectivo de degustar um belo repasto em Trujillo, no restaurante Las Cigueñas. Mas ainda faltam muitos quilómetros para lá chegar e o relógio já marca as 14h30, hora espanhola. “Lá só nos servem até às três e a esta velocidade [o camião de assistência vai sempre entre os 80 e os 90 km/h] não vai ser possível almoçar lá”, reconhece Jorge, que telefona para Elisabete a fim de a avisar que a paragem para o almoço será na próxima estação de serviço. O restaurante não é muito bom, mas a boa disposição permite rapidamente esquecer que o gaspacho “não está grande coisa”, que o vinho tinto “não se consegue beber”, que o pão “está duro” e que os cafés estão “intragáveis”, já para não façar dos secretos de porco preto que mais se assemelham a um bocado de toucinho só com gordura. Salva-se a “cuajada con miel”, sobremesa que escolho aconselhada por Álvaro e Elisabete.
Já se passaram quase sete horas desde que saímos da oficina “e só andámos 300 quilómetros”, diz Jorge depois de verificar a distância percorrida e registada no Terratrip. O céu confirma que o mau tempo está para ficar, mas até Talavera de la Reina não há direito a mais paragens. Jorge, sempre atento ao plano de viagem que definiu com Elisabete, tenta ver no GPS a direcção em que seguimos, mas o aparelho deixa de apanhar satélites e ao se tentar tirar o cabo de carga, este parte-se. A partir de agora só se liga o GPS quando for necessário, pois só podemos contar com a bateria que ainda tem. Ao entrar em Talavera de la Reina andamos às voltas nas ruas, cheias de rotundas, até que encontramos o agradável Hotel Roma, de onde escrevo estas palavras.
Depois de uma curta passagem pelo quarto – só a Elisabete demorou mais porque precisou de dormir um pouco – e de uma conversa sobre histórias curiosas que se passaram em ralis anteriores com oJorge e o Álvaro, seguimos para o restaurante Casa Duero, a três minutos a pé do hotel. Depois de um almoço que deixou a desejar, o jantar é cinco estrelas, das entradas ao café, passando pelo bom vinho tinto que partilho com o Álvaro e o Jorge. O cansaço já se nota no semblante de todos e como o pequeno-alomoço está marcado para as 8h30, seguimos para os quartos.
Em Portugal, o Benfica acabou de perder 2-0 com o F.C. Porto no Dragão, informação que recebo via sms. Mas aqui em Espanha o Valência de Miguel e Caneira também não teve um dia melhor, depois da humilhante derrota por 5-1 frente ao Athletic. “Dia de Futbol” é o programa que vai passando no televisor que acendi precisamente para ver se sabia qual tinha sido o resultado do clássico da Liga portuguesa. Esse já sei, agora só me falta saber quem venceu o Estoril Open, se Federer ou Davidenko. Devo ficar a saber daqui a nada pelo telefonema que farei à minha mãe.
Durante o dia de hoje tirei umas quantas fotos, para guardar alguns momentos desta viagem. Os camiões descansam lá em baixo, em frente ao hotel, prontinhos para mais um dia de viagem em direcção a Lérida, onde será a próxima dormida.
Entretanto já são 00h26, está na hora de dormir.
Até amanhã
A estrear
Olá,
Como prometido, começo aqui a contar-vos a minha aventura. No próximo post, o primeiro dia...
Bjs
Mary
Como prometido, começo aqui a contar-vos a minha aventura. No próximo post, o primeiro dia...
Bjs
Mary
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