Sem atrasos, a partida de Alverca faz-se à hora certa, às 9 da manhã. Destino: Talavera de la Reina, a cerca de 100 quilómetros de Madrid, em Espanha. Marco Cochinho, o mecânico de corrida, precisa de dar algumas indicações a Maximiano Bizarro, o mecânico que vai conduzir o camião de assistência. Que sorte a minha, faço os primeiros quilómetros da viagem sentada no assento do meio da cabine do camião de Elisabete Jacinto, onde também está Álvaro Velhinho, o navegador da piloto portuguesa. Já sem precisar de um escadote, subo rapidamente para o camião para dar início a esta aventura rumo ao Rali da Tunísia. Até à estação de serviço de Vendas Novas, onde acabarei por trocar de camião, a conversa não pára, seja pelas dúvidas que vou colocando ou pelas histórias que a Beta, como lhe chamam os elementos da equipa, da qual também faz parte Jorge Gil, o marido da piloto e respponsável por toda a logística do grupo. “Ontem tive uma experiência fantástica”, exclama Elisabete queandou numa lufa-lufa nos últimos dias antes da partida. “Quando regressava do Porto vi um arco-iris espectacular. Tão grande, tão definido e com cores tão vivas, que mais me parecia uma imagem de um filme de ficção científica”, conta com a boa disposição que a caracteriza.
Atravessamos a Ponte Vasco da Gama e seguimos pela auto-estrada que nos leva até à fronteira de Badajoz. Poucos quilómetros depois, nova paragem, em Talavera, para atestar os depósitos dos camiões – opção óbvia, já que o combustível em Espanha é mais barato que em Portugal. O tempo está pouco convidativo e não há tempo a perder. Rapidamente nos fazemos de novo à estrada com o objectivo de degustar um belo repasto em Trujillo, no restaurante Las Cigueñas. Mas ainda faltam muitos quilómetros para lá chegar e o relógio já marca as 14h30, hora espanhola. “Lá só nos servem até às três e a esta velocidade [o camião de assistência vai sempre entre os 80 e os 90 km/h] não vai ser possível almoçar lá”, reconhece Jorge, que telefona para Elisabete a fim de a avisar que a paragem para o almoço será na próxima estação de serviço. O restaurante não é muito bom, mas a boa disposição permite rapidamente esquecer que o gaspacho “não está grande coisa”, que o vinho tinto “não se consegue beber”, que o pão “está duro” e que os cafés estão “intragáveis”, já para não façar dos secretos de porco preto que mais se assemelham a um bocado de toucinho só com gordura. Salva-se a “cuajada con miel”, sobremesa que escolho aconselhada por Álvaro e Elisabete.
Já se passaram quase sete horas desde que saímos da oficina “e só andámos 300 quilómetros”, diz Jorge depois de verificar a distância percorrida e registada no Terratrip. O céu confirma que o mau tempo está para ficar, mas até Talavera de la Reina não há direito a mais paragens. Jorge, sempre atento ao plano de viagem que definiu com Elisabete, tenta ver no GPS a direcção em que seguimos, mas o aparelho deixa de apanhar satélites e ao se tentar tirar o cabo de carga, este parte-se. A partir de agora só se liga o GPS quando for necessário, pois só podemos contar com a bateria que ainda tem. Ao entrar em Talavera de la Reina andamos às voltas nas ruas, cheias de rotundas, até que encontramos o agradável Hotel Roma, de onde escrevo estas palavras.
Depois de uma curta passagem pelo quarto – só a Elisabete demorou mais porque precisou de dormir um pouco – e de uma conversa sobre histórias curiosas que se passaram em ralis anteriores com oJorge e o Álvaro, seguimos para o restaurante Casa Duero, a três minutos a pé do hotel. Depois de um almoço que deixou a desejar, o jantar é cinco estrelas, das entradas ao café, passando pelo bom vinho tinto que partilho com o Álvaro e o Jorge. O cansaço já se nota no semblante de todos e como o pequeno-alomoço está marcado para as 8h30, seguimos para os quartos.
Em Portugal, o Benfica acabou de perder 2-0 com o F.C. Porto no Dragão, informação que recebo via sms. Mas aqui em Espanha o Valência de Miguel e Caneira também não teve um dia melhor, depois da humilhante derrota por 5-1 frente ao Athletic. “Dia de Futbol” é o programa que vai passando no televisor que acendi precisamente para ver se sabia qual tinha sido o resultado do clássico da Liga portuguesa. Esse já sei, agora só me falta saber quem venceu o Estoril Open, se Federer ou Davidenko. Devo ficar a saber daqui a nada pelo telefonema que farei à minha mãe.
Durante o dia de hoje tirei umas quantas fotos, para guardar alguns momentos desta viagem. Os camiões descansam lá em baixo, em frente ao hotel, prontinhos para mais um dia de viagem em direcção a Lérida, onde será a próxima dormida.
Entretanto já são 00h26, está na hora de dormir.
Até amanhã
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3 comentários:
Ora, o Benfica perdeu com o Porto e Sporting perdeu com o Leiria... Enfim :P Boa viagem, liiinda!
Mary,
Se precisares de ajuda em programações do blog, vamos falando por mail. Pelo do jornal ou pelo gmail.
Beijinhos
Estou ansiosa pelos próximos dias... Claro que te vou ler diariamente. E comentar!
Ora sobre o Benfica escusavas de ter falado! por acaso reparaste que só sportinguistas é que te comentaram!!! Bem minha querida boas viagens, boas conversas e aproveita cada milímetro da paisagem! BEIJO BEIJO BEIJO!
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